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Após uma turnê de 2 meses pelos Estados Unidos, Nó lança Nó em Pingo D'Água Interpreta Paulinho da Viola. Paulinho da Viola, filho de César Faria (do grupo Época de Ouro), entende de choro. Seu pai costumava trazer para casa alguns dos grandes intérpretes, tais como Pixinguinha e Jacob do Bandolim. Embora Paulinho seja talvez mais conhecido por seus sambas ("Amor à Natureza", "Coração Leviano" e muitos outros mais para citar aqui), ele na realidade até já lançou discos inteiramente dedicados ao choro (Paulinho da Viola e Ensemble, 1993; Memórias Chorando, 1976). Gravado por grandes nomes do cenário musical brasileiro, tais como Clara Nunes, Leila Pinheiro. Simone e Zé Luiz Mazziotti, Paulinho agora recebe este indispensável tributo através da criatividade e mãos destes músicos excelentes que formam Nó em Pingo D'Água.
O CD não é apenas choro. Com "Maxixe do Galo", o grupo traz mais uma vez a sua marca registrada para fazer este maxixe mais dinâmico ainda. O mesmo ocorre com "Rosinha, Essa Menina". Para melhor compreender Nó em Pingo D'Água, aqui está outro grande exemplo: "Sinal Fechado". O arranjo aqui captou a mensagem profunda da canção sem se utilizar de palavras. Especialmente com o solo melancólico do baixo de Papito e o próprio bandolim do Rodrigo quase chorando, "Sinal Fechado" é de arrasar. Mudando um pouco o tom e trazendo o ouvinte de novo para o som mais tradicional de Nó, "Escapulindo" é saltitante com tanta vivacidade. Dois momentos muito serenos se apresentam com "Não Me Digas Não" e "Valsa Chorando". A atmosfera criada nestes dois arranjos vai certamente lhe levar aos tempos dos lampiões de gás na varanda e ruas iluminadas pelo luar de outras eras. Estas duas faixas são de beleza rara. O piano de Cristovão Bastos em "Não Me Digas Não" dá um toque extra para o grupo. A única canção que não foi escrita por Paulinho, "Choro em Ré Menor", novamente dá a Papito o espaço para brilhar mais uma vez. Fechando este grande trabalho, a introdução que Rogério Souza usou para "Timoneiro" vai dar um certo sabor de Dorival Caymmi. Aqueles movimentos tranquilos de ondas calmas das canções de Caymmi permeiam este clássico de Paulinho graças à bela instrumentação criada. O encarte apresenta um texto de Arley Pereira. De fato, as palavras de Arley acertam na mosca e não são hiperbólicas: "é o Nó em Pingo D'Água na sua melhor performance". Devo adicionar, entretanto, que eu assim também pensei o mesmo com Nó na Garganta e Domingo na Geral. Portanto, cabe aqui a cautela de dizer que este é o melhor trabalho do Nó -- neste momento! Desfrute do Paulinho e do Nó. Nas palavras do próprio Paulinho da Viola: "Eu não vivo no passado, o passado vive em mim". Viva este momento inesquecível que é Nó em Pingo D'Água Interpreta Paulinho da Viola.
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