Nó em Pingo D'Água
Salvador
Visom VICD00091 (1988)
Tempo: 38'26"

 

Eclético e Contemporâneo

 

Resenha por
Dezembro 2004

Salvador
Faixas:
  1. Salvador (Egberto Gismonti)
  2. Quebra Pedra (Tom Jobim)
  3. Nosso Encontro (Sivuca - Hermeto Pascoal
  4. Viola Violada (Nonato Luiz)
  5. Chorava (Wagner Tiso)
  6. Curumim (Cesar Camargo Mariano)
  7. Chará (Baden Powell)
  8. Bebê (Hermeto Pascoal)
  9. Libertango (Astor Piazolla)
  10. Chuva Morna (Heraldo do Monte - J. Petrolino)

Para este segundo álbum, a formação do Nó em Pingo D'Água consta de Mário Sève (sax, flauta), Rodrigo Lessa (bandolim, violão tenor), Sergio Costa (cavaquinho), Rogério Souza (violão de 6 cordas), Jorge Simas (violão de 7 cordas) e Marco Suzano (percussão).

O repertório em Salvador é mais eclético e contemporâneo do que o primeiro álbum do Nó. Mário Sève é responsável por seis dos arranjos enquanto que as demais faixas foram arranjadas por Jorge Simas, Rogério Souza, Rodrigo Lessa e uma outra pelo grupo em arranjo coletivo. É interessante notar a presença de Marco Suzano neste trabalho. Sua experiência com um grande número de instrumentos de percussão fica claramente estampada nestas faixas. Quer no pandeiro, caxixi, ganzá, temple blocks ou agogô, o som criado por Marco Suzano é dinâmico e dá uma nova dimensão ao que virá a ser uma presença constante em futuros trabalhos do Nó. O mesmo pode ser dito quando aos solos agudos que Sergio Costa esbanja no cavaquinho, como na introdução de "Quebra Pedra". Os dois números compostos por Hermeto Pascoal, "Nosso Encontro" (escrito com Sivuca) e "Bebê", trazem um sabor de baião e nordeste a Salvador. Esta presença nordestina é mais ativa ainda no frevo que encerra o álbum, "Chuva Morna". Esta faixa é explosiva. Também merecem destaque "Curumim", "Chará" e "Libertango". A versão que o Nó cria para "Curumim" (gravada por Cesar Camargo Mariano em Samambaia) é bem apimentada com o ritmo irresistível do choro. Quanto a "Chará", de Baden Powell, Marco Suzano faz um show à parte no surdo, cuíca e repique. A única faixa que não é brasileira, "Libertango", dá a Astor Piazolla uma sonoridade bem diferente. Os violões, cavaquinho e bandolim produzem uma combinação apaixonante.

Você pode ouvir trechos das faixas em Salvador nesta página.

MB E.L.