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7, 2002 |
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Um novo trabalho do Trio da Paz é sempre um prazer para ser desfrutado. Depois de uma ausência de três anos -- Café e Canta Brasil foram ambos lançados em 2002 -- o trio voltou ao estúdio para gravar mais um bom cd, exatamente como os trabalhos anteriores. Com total controle da produção e arranjos, o Trio da Paz escolheu um repertório variado cobrindo clássicos brasileiros e norte-americanos. Além das belíssimas músicas aqui apresentadas, até mesmo a capa de Somewheremostra a tranquilidade e simplicidade no quadro de Gail E. McElhaney Fester. Apenas um toque extra, este detalhe é prova do cuidado meticuloso que entrou nesta excelente produção. Parte da idéia para o repertório de Somewhere saiu do pessoal da gravadora Blue Toucan Music, conforme é explicado no encarte. A nova gravadora sugeriu ao Trio que gravasse tanto material novo como coisas já previamente apresentadas. Este balanço certamente evoluiu perfeitamente, principalmente porque algumas das faixas novas aqui registradas receberam um tratamento todo único com a marca do Trio e seus talentosos músicos. Por exemplo, os clássicos norte-americanos "Seven Steps to Heaven", "Ding Dong, the Witch Is Dead", "Take Five" e a faixa que dá título ao álbum "Somewhere" demonstram esta nova abordagem musical. É surpreendente poder ouvir ecos do Clube da Esquina no arranjo de "Ding Dong, the Witch Is Dead". Até mesmo a mais contemporânea "Winelight" recebe uma grande transformação com batida bem brasileira. O solo de violão suave de Romero é cativante. A bateria do Duduka é simplesmente pura Bossa Nova e o baixo acústico do Nilson complementam o prazer ao se ouvir esta faixa. O que se pode dizer sobre "Take Five"? Este clássico do Paul Desmond é vibrante neste arranjo do Trio. De fato, este arranjo aqui é bem semelhante ao que Romero usou no trabalho da sua esposa Pamela Driggs em 2002, Itacuruçá. Aqui, sem a voz da Pamela, o violão do Romero reinou na faixa toda. Quanto aos números brasileiros em Somewhere, o Trio não poupou surpresas. Além de gravar duas composições clássicas de Baden Powell -- "Babel (Samba Novo)" e "O Astronauta" -- e duas de Antônio Carlos Jobim -- "Look to the Sky" e "Corcovado" -- encontramos também outras deliciosas surpresas. Um do meus grupos favoritos de música instrumental brasileira trata-se de Azymuth. Assim sendo, ao ver que o Trio havia incluído o sucesso "Partido Alto" neste cd eu fiquei muito entusiasmado. O resultado é que não fiquei desapontado no arranjo do Trio. Foi especialmente muito bom poder ouvir esta composição em um arranjo totalmente acústico. A grande surpresa, entretanto, foi a apresentação que o Trio deu ao Hino Nacional do Brasil. Esta é provavelmente a primeira gravação em jazz do hino brasileiro. Ao se ouvir este arranjo, a gente claramente compreende porque o Duduka encheu os olhos de lágrimas ao fim da gravação. O esmero e respeito dado a esta melodia foi um dos momentos mais brilhantes do Trio da Paz. Somewhere é mais um excelente álbum do Trio da Paz. Romero Lubambo, Duduka da Fonseca e Nilson Matta continuam invigorando a música brasileira e mundial com suas habilidades artísticas e musicais. Fique certo que ao comprar este cd, você vai levá-lo a todos os lugares onde for.
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